sexta-feira, 27 de março de 2009

tanta chave

é tanta coisa
é tanto stress
é tanta chave
e um monte de portão

de vidro
de ferro
de alumínio
de madeira
e tudo fechado

abre um
abre dois
abre três
se confunde
e descansa

gente lá dentro
gente lá fora
insegurança aqui dentro
insegurança lá fora

trancados
inseguros
seguros
trancas enganadoras são trancadas
as chaves vão para cima da estante
até pegá-las novamente
e ir para o mundo de lá




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quarta-feira, 18 de março de 2009

o que aconteceu, aconteceu?

sei lá
eu tenho minhas dúvidas
aquelas dúvidas que são criadas pra gente sofrer menos

estávamos ali
como qualquer um
sentados
tão perto que parecia estar muito distante
conversando e trocando juras de amor
aquelas recheadas de açúcar e karo
e, por diversas vezes, tive vontade de te beliscar
e belisquei!
infelizmente era real
e nem precisei mais anotar as coisas que você dizia - as que eu anotava pra te provar que você não existia
a cada dia você me deixava mais apaixonado
e minhas dúvidas foram se desfazendo ao mesmo tempo em que ficava cada vez mais dependente de ti
ora, que droga!
nem era para estar falando isso.

um beijo
diversas partes
um beijo em diversas partes
mentalizados e sobrepostos
o modo como íamos nos conhecendo foi muito surreal
(talvez tenha sido até esse o problema - nos conhecemos demais...!)
pelo menos eu fui como eu sempre fui - verdadeiro!
menti sim em alguns poucos momentos (mentirinhas bobas)
mas você parece nunca ter saído de sua armadura
e pertencíamos um ao outro
só seu telefone ainda não era meu
mas o meu era seu
e você parece ter anotado e perdido em algum lugar
assim como você também deve estar agora
procurando um novo alguém para amar ou simplesmente enganar






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domingo, 8 de março de 2009

minhas espinhas

vou falar sobre isso que é para desabafar.
essa miséria que me acompanha há anos.

meu rosto era super limpo até quando eu tinha uns 15 anos (ano passado - rs).
de lá pra cá, essas danadas já me fizeram passar por muita coisa.
já deixei de sair por causa delas.
já passei muita coisa na cara
e já saí com elas também.
certa vez, percebi que todos estavam me olhando na rua. quando fui me olhar no espelho, meu rosto parecia que tinha sido atacado por abelhas.

limpeza
hidratante
argila
máscaras
milhões de sabonetes
centenas de bisnagas de acnase e clindoxyl.
nada. simplesmente nada resolve essa única herança que o cara que transou com minha mãe e resultou em mim, deixou. não quero ficar com cara desse cara.
esse tal de DNA é foda, viu!?
e olhe que eu nem sou muito vaidoso, viu!?
se fosse, já teria tomado rocutan mesmo sem prescrição médica

como muita besteira sim.
mas também me alimento direito
será que vou ter que tomar lacto purga todo dia?
ou virar vegetariano...?
ou vou ter que passar... (vou nem falar o que já me disseram que é bom passar, viu!?)
sem falar que a barba torna ainda pior a situação. as deixa mais visívieis e vermelhas. tem dias que meu rosto fica parecendo um ralador. argh!

poderia ter trucidado a dermatologista que certa vez me disse: isso é normal da idade...
normal o caralho! eu já tenho vinte e poucos anos... e aí?
é isso!
o que você me diz?
me recomenda alguma coisa?



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sábado, 28 de fevereiro de 2009

o velho vendedor de relógios

como sempre, eu estava atrasado e ele estava lá
parado
calmo
ajeitava uns relógios que estava na mesa em sua frente
uma mesa de madeira equilibrada com um pedaço de tijolo
tinha também um sombreiro escrito "marlboro", que um dia já deve ter sido branco
e um plástico que também já não era transparente cobria seus relógios
malmente dava pra os enxergar - os seus próprios produtos
e balbuciava palavras que ninguém entendia
sozinho

engraçado! passava e ainda passo por lá quase todo dia e nunca o tinha visto ali

o tempo é mesmo cruel
e ele devia saber isso mais do que ninguém
dava pra ver a melancolia em sua face
durante os poucos instantes em que fiquei o observando
passei pelos seus gestos todos seus dias e anos de vida
devia passar os dias assim
deveria passar também seus últimos dias assim?

velho
numa mesa velha
se protegendo de um sol velho embaixo de um sombreiro velho
vendendo numa mesa velha
relógios velhos




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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

bruno

chegou todo sem graça
ao mesmo tempo em que se entregava
e, ainda assim, escondia um segredo em seu olhar
a timidez parecia esconder sua personalidade efusiva

se aproximou ainda mais e sua imagem foi refletida
mordi a língua e tentei não encarar
apenas percebi uns traços delicados em seu rosto de "boy"

era tão barato...
porque fazia aquilo?
e uma palavra o classificava - uma palavra proibida
mas que não me incomodava
nem tampouco me ofendia

segundos intermináveis
e minha inexperiência revelava a sua
você sentia que todos estavam te olhando, mas nem era

você sabia o que estava fazendo
e estávamos ali
meio sem graça
meio contraditório



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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

e eu ainda

come
um monte de gente
come um monte de gente

vertical
dois dedos
só dois dedos na vertical

sim
não
acho melhor não

ligou
disparou
disparou só porque atendeu

ele não vem
eu não vou
ela vai
ela vem
ele nega
não tem problema

engana
nos engana
se engana
se enganar é ainda pior

e eu ainda penso
e eu ainda gosto
e eu ainda gosto de gostar
e eu ainda gosto de gostar de você e eu
juntos
ainda.



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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

insônia

pego meu caderno, uma caneta e o celular para iluminar um pouco.
escrevo isso às 4:15 da madrugada.
daqui a pouco amanhece e não consigo dormir.
pensamentos me consomem e me deixam ainda mais exausto.
tentei levantar, mas não ia conseguir dar um passo sequer... levantei! aconteceu o que eu previa... me equilibrar foi impossível.
mal consigo abrir os olhos agora.
e minhas pernas não param quietas
não existe posição confortável.
o som do silêncio é ensurdecedor.
traiçoeiro.
me faz perder a noção do tempo
e o som do roçar da roupa de cama com o colchão é apavorante.
ponho a cabeça em cima do caderno e respiro fundo.
como um último suspiro.
essa sensação me dói, mas talvez dê certo.
queria sumir nesse momento ao invés de ter que contar de um até cinco mil.
queria arrancar a minha roupa e me esticar pelado na cama, mas... calma! eu só preciso me concentrar.
mas como? se esse ventilador e nada é a mesma coisa... que calor, meu Deus!
calma, calma!
não posso pensar em nada.
não posso pensar que daqui a algumas horas estarei em pé e cheio de coisa pra fazer pra pagar as minhas dívidas...
droga! eu estou pensando demais... páre garoto!
parei.
vou soltar esse caderno, caneta e celular como se tivesse fazendo tai chi chuan
cadê minha coberta?
olho pela última vez as horas no celular e prefiro nem acreditar.
vou soltar.
vou tentar.
eu preciso dormir...


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