o jeito que você não me olha
não é possível
tem alguma coisa
me toque!
eu não sou um santo
eles não existem
vamos experimentar
me beije!
não tenha medo
você conhece todos os meus segredos
e eu os seus
me queira!
sem vergonha
sem vergonha
essa vergonha que nos repele e nos atrai
sem frescuras
acontece algo estranho
não há como negar
uma vergonha contida
ou medo adquirido
onde teu silêncio me diz: eu te amo
e tua voz me faz ter medo e me cala
dou risada e saio de mim
seus toques - quase raros - faíscam
seu riso - sempre - traz o meu acompanhado
não tenha medo não
nossos planos até podem ser construídos juntos
juntos
seus traumas quanto a isso serão sanados
e a felicidade existirá ao meu lado, como já existe e nos alimenta
é só uma questão de tentar
só não espere por mim
sou mais ousado com as palavras
se você tentar eu não vou resistir
não vou fingir que estou dormindo
não vou dar risada
nem tampouco desviar o olhar
apenas beijar-te
e tentar... tentar... tentar...
amar-te ainda mais
>>
segunda-feira, 20 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
você me entende
safadinho
caladinho
danadinho
avexadinho
engraçadinho
deitadinho
peladinho
taradinho
esquentadinho
geladinho
escondidinho
ocupadinho
lindinho
organizadinho
perdidinho
coisadinho
tadinho
>>
caladinho
danadinho
avexadinho
engraçadinho
deitadinho
peladinho
taradinho
esquentadinho
geladinho
escondidinho
ocupadinho
lindinho
organizadinho
perdidinho
coisadinho
tadinho
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
uma linda cobradora
dava minha cara a tapa se eu visse alguém que não a reparasse
numa profissão dominada por homens estereotipados como brutos e ignorantes, ela estava lá
na dela
linda
longos cabelos pretos encaracolados
e um sorriso encantador
o ônibus parava quando ela ia falar com o motorista
ia em passos lentos numa calça justa
passos fortes masculinos, talvez pra impor algum respeito - que muitos poderiam não ter
com uma pochete na cintura, entre um ponto e outro
um ou outro batom
uma passada de lápis de olho
e uma arrumada no cabelo
a admirei por mais alguns instantes e fiquei imaginando qual o motivo que a tinha feito parar ali
será que tinha filhos?
será que ali ela estava feliz?
poucos instantes e vários pontos me fizeram parar para olhá-la e refletir
desci
>>
numa profissão dominada por homens estereotipados como brutos e ignorantes, ela estava lá
na dela
linda
longos cabelos pretos encaracolados
e um sorriso encantador
o ônibus parava quando ela ia falar com o motorista
ia em passos lentos numa calça justa
passos fortes masculinos, talvez pra impor algum respeito - que muitos poderiam não ter
com uma pochete na cintura, entre um ponto e outro
um ou outro batom
uma passada de lápis de olho
e uma arrumada no cabelo
a admirei por mais alguns instantes e fiquei imaginando qual o motivo que a tinha feito parar ali
será que tinha filhos?
será que ali ela estava feliz?
poucos instantes e vários pontos me fizeram parar para olhá-la e refletir
desci
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sexta-feira, 27 de março de 2009
tanta chave
é tanta coisa
é tanto stress
é tanta chave
e um monte de portão
de vidro
de ferro
de alumínio
de madeira
e tudo fechado
gente lá dentro
gente lá fora
insegurança aqui dentro
insegurança lá fora
trancados
inseguros
seguros
trancas enganadoras são trancadas
as chaves vão para cima da estante
até pegá-las novamente
e ir para o mundo de lá
>>
é tanto stress
é tanta chave
e um monte de portão
de vidro
de ferro
de alumínio
de madeira
e tudo fechado
abre um
abre dois
abre três
se confunde
e descansa
gente lá dentro
gente lá fora
insegurança aqui dentro
insegurança lá fora
trancados
inseguros
seguros
trancas enganadoras são trancadas
as chaves vão para cima da estante
até pegá-las novamente
e ir para o mundo de lá
>>
quarta-feira, 18 de março de 2009
o que aconteceu, aconteceu?
sei lá
eu tenho minhas dúvidas
aquelas dúvidas que são criadas pra gente sofrer menos
estávamos ali
como qualquer um
sentados
tão perto que parecia estar muito distante
conversando e trocando juras de amor
aquelas recheadas de açúcar e karo
e, por diversas vezes, tive vontade de te beliscar
e belisquei!
infelizmente era real
e nem precisei mais anotar as coisas que você dizia - as que eu anotava pra te provar que você não existia
a cada dia você me deixava mais apaixonado
e minhas dúvidas foram se desfazendo ao mesmo tempo em que ficava cada vez mais dependente de ti
ora, que droga!
nem era para estar falando isso.
um beijo
diversas partes
um beijo em diversas partes
mentalizados e sobrepostos
o modo como íamos nos conhecendo foi muito surreal
(talvez tenha sido até esse o problema - nos conhecemos demais...!)
pelo menos eu fui como eu sempre fui - verdadeiro!
menti sim em alguns poucos momentos (mentirinhas bobas)
mas você parece nunca ter saído de sua armadura
e pertencíamos um ao outro
só seu telefone ainda não era meu
mas o meu era seu
e você parece ter anotado e perdido em algum lugar
assim como você também deve estar agora
procurando um novo alguém para amar ou simplesmente enganar
>>
eu tenho minhas dúvidas
aquelas dúvidas que são criadas pra gente sofrer menos
estávamos ali
como qualquer um
sentados
tão perto que parecia estar muito distante
conversando e trocando juras de amor
aquelas recheadas de açúcar e karo
e, por diversas vezes, tive vontade de te beliscar
e belisquei!
infelizmente era real
e nem precisei mais anotar as coisas que você dizia - as que eu anotava pra te provar que você não existia
a cada dia você me deixava mais apaixonado
e minhas dúvidas foram se desfazendo ao mesmo tempo em que ficava cada vez mais dependente de ti
ora, que droga!
nem era para estar falando isso.
um beijo
diversas partes
um beijo em diversas partes
mentalizados e sobrepostos
o modo como íamos nos conhecendo foi muito surreal
(talvez tenha sido até esse o problema - nos conhecemos demais...!)
pelo menos eu fui como eu sempre fui - verdadeiro!
menti sim em alguns poucos momentos (mentirinhas bobas)
mas você parece nunca ter saído de sua armadura
e pertencíamos um ao outro
só seu telefone ainda não era meu
mas o meu era seu
e você parece ter anotado e perdido em algum lugar
assim como você também deve estar agora
procurando um novo alguém para amar ou simplesmente enganar
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domingo, 8 de março de 2009
minhas espinhas
vou falar sobre isso que é para desabafar.
essa miséria que me acompanha há anos.
meu rosto era super limpo até quando eu tinha uns 15 anos (ano passado - rs).
de lá pra cá, essas danadas já me fizeram passar por muita coisa.
já deixei de sair por causa delas.
já passei muita coisa na cara
e já saí com elas também.
certa vez, percebi que todos estavam me olhando na rua. quando fui me olhar no espelho, meu rosto parecia que tinha sido atacado por abelhas.
limpeza
hidratante
argila
máscaras
milhões de sabonetes
centenas de bisnagas de acnase e clindoxyl.
nada. simplesmente nada resolve essa única herança que o cara que transou com minha mãe e resultou em mim, deixou. não quero ficar com cara desse cara.
esse tal de DNA é foda, viu!?
e olhe que eu nem sou muito vaidoso, viu!?
se fosse, já teria tomado rocutan mesmo sem prescrição médica
como muita besteira sim.
mas também me alimento direito
será que vou ter que tomar lacto purga todo dia?
ou virar vegetariano...?
ou vou ter que passar... (vou nem falar o que já me disseram que é bom passar, viu!?)
sem falar que a barba torna ainda pior a situação. as deixa mais visívieis e vermelhas. tem dias que meu rosto fica parecendo um ralador. argh!
poderia ter trucidado a dermatologista que certa vez me disse: isso é normal da idade...
normal o caralho! eu já tenho vinte e poucos anos... e aí?
é isso!
o que você me diz?
me recomenda alguma coisa?
>>
essa miséria que me acompanha há anos.
meu rosto era super limpo até quando eu tinha uns 15 anos (ano passado - rs).
de lá pra cá, essas danadas já me fizeram passar por muita coisa.
já deixei de sair por causa delas.
já passei muita coisa na cara
e já saí com elas também.
certa vez, percebi que todos estavam me olhando na rua. quando fui me olhar no espelho, meu rosto parecia que tinha sido atacado por abelhas.
limpeza
hidratante
argila
máscaras
milhões de sabonetes
centenas de bisnagas de acnase e clindoxyl.
nada. simplesmente nada resolve essa única herança que o cara que transou com minha mãe e resultou em mim, deixou. não quero ficar com cara desse cara.
esse tal de DNA é foda, viu!?
e olhe que eu nem sou muito vaidoso, viu!?
se fosse, já teria tomado rocutan mesmo sem prescrição médica
como muita besteira sim.
mas também me alimento direito
será que vou ter que tomar lacto purga todo dia?
ou virar vegetariano...?
ou vou ter que passar... (vou nem falar o que já me disseram que é bom passar, viu!?)
sem falar que a barba torna ainda pior a situação. as deixa mais visívieis e vermelhas. tem dias que meu rosto fica parecendo um ralador. argh!
poderia ter trucidado a dermatologista que certa vez me disse: isso é normal da idade...
normal o caralho! eu já tenho vinte e poucos anos... e aí?
é isso!
o que você me diz?
me recomenda alguma coisa?
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sábado, 28 de fevereiro de 2009
o velho vendedor de relógios
como sempre, eu estava atrasado e ele estava lá
parado
calmo
ajeitava uns relógios que estava na mesa em sua frente
uma mesa de madeira equilibrada com um pedaço de tijolo
tinha também um sombreiro escrito "marlboro", que um dia já deve ter sido branco
e um plástico que também já não era transparente cobria seus relógios
malmente dava pra os enxergar - os seus próprios produtos
e balbuciava palavras que ninguém entendia
sozinho
engraçado! passava e ainda passo por lá quase todo dia e nunca o tinha visto ali
o tempo é mesmo cruel
e ele devia saber isso mais do que ninguém
dava pra ver a melancolia em sua face
durante os poucos instantes em que fiquei o observando
passei pelos seus gestos todos seus dias e anos de vida
devia passar os dias assim
deveria passar também seus últimos dias assim?
velho
numa mesa velha
se protegendo de um sol velho embaixo de um sombreiro velho
vendendo numa mesa velha
relógios velhos
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parado
calmo
ajeitava uns relógios que estava na mesa em sua frente
uma mesa de madeira equilibrada com um pedaço de tijolo
tinha também um sombreiro escrito "marlboro", que um dia já deve ter sido branco
e um plástico que também já não era transparente cobria seus relógios
malmente dava pra os enxergar - os seus próprios produtos
e balbuciava palavras que ninguém entendia
sozinho
engraçado! passava e ainda passo por lá quase todo dia e nunca o tinha visto ali
o tempo é mesmo cruel
e ele devia saber isso mais do que ninguém
dava pra ver a melancolia em sua face
durante os poucos instantes em que fiquei o observando
passei pelos seus gestos todos seus dias e anos de vida
devia passar os dias assim
deveria passar também seus últimos dias assim?
velho
numa mesa velha
se protegendo de um sol velho embaixo de um sombreiro velho
vendendo numa mesa velha
relógios velhos
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