terça-feira, 27 de maio de 2014

esta noite foi demais

até parecia que você estava aqui comigo
e, de certa forma, estava
fiquei ali te olhando
observando cada poro de seu corpo
num raio de visão amplo e profundo chamado lembrança
te percebi
te senti
aqui
ali
aqui como sempre
uma noite inteira para mim
ligados
mas não foi
esta noite era dia
não estávamos
e isso me tirou o sono

me tirou a noite
me tirou o demais
me tirou você



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sábado, 12 de abril de 2014

(como nasce) o amor

difícil a minha tarefa
até pensei em desistir deste post

falar deste assunto é uma atitude corajosa
sobre o sentimento mais comentado em letras de músicas, poemas, versos...
para mim, o amor não nasce; ele está aí - assim como o oxigênio.
mas como nasceu o oxigênio? (boa pergunta... surgiu!)
simplesmente surgiu de uma série de elementos químicos e ações geofísicas.
para alguns, o amor não existe, outros tem medo de admitir e tem medo de dizer que amam. 
qual o problema de dizer 'eu te amo'?
acontece que, para estas pessoas, o amor é algo surreal e é melhor sempre estar desconfiando de tudo e de todos. é tão mais fácil dizer que odeia... que odeia...que dizer 'eu te amo' torna-se algo complicado.

o amor também nasce da convivência
algumas vezes basta um olhar
esse assunto é tão complicado!
(já disse isso)
mas uma coisa é fato: é muito bom ouvir um 'eu te amo'
e dizer também

para amar, basta estar aberto para isso



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sexta-feira, 21 de março de 2014

que tal o tempo?

uma ou duas voltas
tanto faz
três
ou quinze horas
eu não sei mais de nada
sim
sei apenas que tudo é relativo
inclusive esse seu relógio
que, mesmo de ouro, relativiza sua vida
suaviza
mas que não tranquiliza a falta de tempo que o seu relógio de ouro não compra

horas

areinha caindo
e o som das bolinhas batendo uma nas outras
enquanto ouve-se o silêncio do tempo
um lugar vago
um vácuo
um buraco no coração
a demora de seu abraço
e a rapidez do seu aperto de mão com um leve sorriso de canto de boca
quando?
até quando
dezenove
vinte
vinte e oito
eu não sei mais de nada




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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

pelos pelos

incansável
no medo, a dor já nem mais existia
se perdeu naqueles sabores
texturas
pelos
corpo inteiro

muitos queriam estar ali
e o pior é que ele sabe disso
muitos queriam se perder naqueles braços
naquele outros
pelos
fazendo tudo apaixonadamente correto

foram
lambuzaram
se lambuzaram
comeram
se comeram
pelos

agora só isso restou
aquela lembrança
aquela palavra sussurrada ao pé do ouvido
pelos
sincera
eterna

pelos pelos
pelos outros
pelos quartos
pelos arrepios



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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

o enterro de meu pior inimigo

ele tava ali em seu terno preto, liso, engomado
nunca o vi tão bonito
eu fiz questão de ir lá olhar
eu, não tão forte quanto dantes
mas, mais forte do que ele
ainda
aquele que me odiou a vida inteira agora estava ali sem nada poder fazer contra mim
eu podia até dar língua para ele que ele nada poderia fazer contra mim
eu, que nunca tinha o visto dormir, agora estava ali em seu mais profundo sono em minha frente
chorei
chorei sim, como qualquer outro daquele cinco por cinco cheirando a flores
afinal, quem ia me odiar agora?




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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

é que eu gosto de sofrer

parece maluquice, mas eu gosto da dor
de sentir aquele aperto
de ficar ali remoendo
pensando, imaginando, reclamando a mim mesmo
criando e escrevendo textos como este

gosto de ser o idiota
afinal e além do mais, eu sempre serei o idiota de qualquer maneira
de qualquer jeito e em qualquer posição

é só me colocar contra a luz
para eu ficar contra qualquer um
e contra qualquer argumento
história ou verdade (mentira)

é que aprendi a lidar com a dor desde cedo
me deixou mais esperto
me puxando para o mundo real e me fez planejar cada passo
para a frente ou para trás
e, às vezes, dando passos para trás somente para sentir novamente as dores que já passaram
aquelas feridas não cicatrizadas
abertas e reabertas por mim mesmo




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terça-feira, 1 de outubro de 2013

se eu soubesse que aquele seria o último abraço

se eu soubesse que aquele seria o último abraço
eu nem teria te abraçado
deixaria o último sem acontecer
pediria para o tempo voltar e nem te conhecer
conheceria de outra forma o sentido de viver

se eu soubesse que aquele seria o último abraço

eu teria te apertado mais
teria escutado o seu coração bater com o meu
não teria somente te abraçado
não teria soltado

se eu soubesse que aquele seria o último abraço

eu daria aquele último abraço
como um cumprimento qualquer civilizado
sem demonstrar minhas emoções
mesmo que por dentro estivesse sendo corroído por um troço chamado saudade

que já começou a corroer


se eu soubesse que aquele seria o último abraço

eu daria aquele último abraço como se fosse o último abraço



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